Crônica
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Eu te disse mamãe Rose
Dentro da favela capto uma Playboy com uma Big Brother na capa. Miolo recheado com Clara Averbuck. Percebo ela mais talentosa nas fotos. Sigamos assim, com um tropeço aqui e outro na altura da cabeça, a que vim primeiro.
Dentro da favela me capto e me pego novamente cantarolando uma rima fácil. Fácil demais para quem olha da janela de um barraco e vê que tudo está perfeito, que a divisão é exata, que a prova dos nove sempre será zero. Zero a direita, sempre.
Eu odiando os verbos de ligação. O paletó não permite um movimento flexível. O nó da gravata me trava a língua, lalofobia!
Ir para onde quando todas as direções só levam à repetidas histórias infantis, à moral da história, à canções insuportáveis e a um estilo fracassado de dizer as coisas?
Querem ser feliz? Mania besta de querer ser feliz! Esqueçam a felicidade! Felicidade é uma terceira dentição, um cachorro com lepra às minhas costas. É qualquer troço, um pedaço de pau, um caroço de milho, um livro qualquer achado com coprólito em relevo. É uma cagada qualquer, num país qualquer.
As cores da bandeira é pretexto, o que vem antes do texto, segundos antes de abrir os olhos e fazer força.
Cláudio Portella (Fortaleza, 1972). Escritor. Autor de Bingo!(Porto – Portugal: Editora Palavra em Mutação, 2003) e de Os Melhores Poemas de Patativa do Assaré (São Paulo – SP: Global Editora, 2006). Possui trabalhos publicados na revista Caros Amigos, na revista Coyote, na revista Continente Multicultural, no jornal Rascunho, no Suplemento Literário de Minas Gerais, na revista internacional de poesia Dimensão, na revista portuguesa Palavra em Mutação, nos jornais O Globo e Jornal do Brasil, nos jornais A Tarde, Diário do Nordeste e O Povo. Na internet, seus textos proliferam em publicações eletrônicas tais como Capitu (SP) (foi colunista da revista), Etcetera (SP), Zunái (SP), Mnemozine (SP), Cronópios (SP), Cronopinhos (SP), Paralelos (RJ),
Patife (MG), Germina (MG & SP), Escritoras Suicidas (MG & SP), Corsário (CE), Jornal de Poesia (CE), site do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (CE), VerOpoema (PA), LaLupe (Buenos Aires, Argentina), Sensibles del Sur (Bariloche, Argentina), Boletín Misioletras (Misionera, Argentina), Arte literal (Guayana, Venezuela). Figura em mais de 30 antologias literárias, entre nacionais e estrangeiras. Seus trabalhos estão traduzidos em vários idiomas. Em 2002, ganhou com Predileções em carma vivo o concurso de conto da Ubeny (União Brasileira de Escritores Seção de Nova York).
Valéria Eik - Todos os Direitos Reservados