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PUBLICADO EM VEROPOEMA EM 23/09/07
http://www.veropoema.net/interna.php?page=5&action=show&id=688

5 poemas de Cláudio Portella


UNIVERSAL





Chove

Chove, o cheiro de terra molhada

Só o cheiro da terra molhada é universal

O cheiro de terra que sinto agora no Nordeste

eu o sentiria em Pequim

Nem a chuva é universal

Só o cheiro da terra é universal

A terra que carrego nas unhas

A terra em que se plantando tudo dá

Nem a terra é universal

Só o cheiro é universal

O poema que carrego nas costas

Nem ele é universal

Escrevo para os meus pares

O agricultor rural

que masca fumo e bebe pinga no mercado

Só o cheiro da terra molhada é universal

Nem as lágrimas são universais

Só o cheiro da terra molhada

Chove





Motivo Indiano Antiquíssimo (M.I.A)



De vez enquanto alguém M.I.A

no meu ouvido

e eu percebo na estampa do seu vestido

que não posso

Não posso

continuar a vestir-me

A não ser me distrair

daquilo que não sei fazer

sozinho

Se não sei fazer só

não vale a pena fazer a dois

E eu ergo a taça de veneno indiano

brindando nossa união antiquíssima

- A nós

- Dois!





SONETO

Tristeza e alegria,

não me meto.

Pois isso varia.

Soma não é soneto.



Espero pelo tempo

da poesia não mais ter simetria.

E que a gente possa sem forma e momento,

falar sobre o real e a fantasia.



Busco uma trilha sem rumo,

onde se come e não rumina.

Poesia não é estrume.



Rompe-se amarras.

Copiam-se chaves.

A poesia tem assas.





Fodaleza

a Poesia Marginal

Fodaleza, tende piedade de mim

não tenho mais idade de fugir

de morar onde não moras

Pois, só perdes para jacaré no pinote

E eu sumo-sacerdote

adoeço se não ouvir “Surra de Chicote”

no décimo andar do Jalcy

Fodaleza ...





Pólvora





Casa nova

mobília em caixas de papelão

ainda empilhadas na sala

Displicentemente você me pergunta:

“aonde boto a T.V.?”

Inadvertidamente eu respondo:

“no lado zen da vida”

Pra que!






Cláudio Portella é escritor. Nasceu em Fortaleza em 1972. Autor de Bingo!(Porto – Portugal: Editora Palavra em Mutação, 2003) e de Os Melhores Poemas de Patativa do Assaré (São Paulo – SP: Global Editora, 2006). Seus trabalhos estão traduzidos em vários idiomas. Figura em mais de 30 antologias literárias, entre nacionais e estrangeiras. O escritor é publicado em inúmeras revistas, jornais, suplementos, revistas eletrônicas, sites, blogs e flogs. Contato: clautella@ig.com.br
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Malambas
http://malambas.blogspot.com/
Quando se junta uma amálgama de palavras, um conto ou um poema podem sempre emergir. A sua divulgação fará que não morram esconsos numa escura e funda gaveta. Daí que às minhas palavras quero juntar as de outros que desejem participar. Os meus trabalhos estão publicados sob o pseudónimo: "Lobitino Almeida N'gola". Notem nos nomes.

Segunda-feira, Setembro 24, 2007
Pólvora


"Bromélia"
(Aguarela de Francisco Gomes Amorim)


Pólvora*

Casa nova
mobília em caixas de papelão
ainda empilhadas na sala
Displicentemente você me pergunta:
“aonde boto a T.V.?”
Inadvertidamente eu respondo:
“no lado zen da vida”
Pra que?!



*Cláudio Portella*
*(poeta brasileiro; poema retirado daqui)
Etiquetas: Brasil, Cláudio Portella

Escrito por Carmiña Candido Daverio
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